Sindicato do setor em Goiás acredita que demissões podem chegar a 2 mil até o fim do próximo mês
Paulo Nunes Gonçalves
Anápolis - A indústria farmacêutica de Goiás, cujo pólo produtivo fica concentrado em Anápolis, Goiânia e Aparecida de Goiânia, demitiu cerca de 1,7 mil empregados de setembro do ano passado até agora. Só em Anápolis foram mais de 1,2 mil funcionários. E e as demissões no segmento podem chegar a 2 mil até o final do próximo mês. Os dados e a previsão são do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás.
De acordo com o presidente do sindicato, Eduardo Gonçalves, a indústria de medicamentos foi uma das mais atingidas pela crise econômica mundial, como consequência da valorização do dólar, que em média subiu em torno de 40% no período, mas chegou ao pico de 52% de valorização em alguns meses.
Eduardo Gonçalves explica que grande parte dos insumos e fármacos em geral são importados da Índia e China e que o pagamento, tanto da matéria prima quanto dos impostos de importação, é baseado em dólar, na cotação do dia. “Além disso, os bancos reduziram os créditos em até 80%, dificultando ainda mais a situação das empresas, que precisam de dinheiro para recompor o capital de giro.
O presidente do sindicato das indústrias disse que no caso específico dos laboratórios goianos há um outro agravante, pois grande parte dos produtos é comercializada para o governo, com o qual são assinados contratos anuais.
“Assim que uma empresa consegue vencer uma concorrência, ela assina um contrato, comprometendo-se em fazer as entregas por um determinado preço. No ano passado, com a alta repentina da moeda americana, muitas delas tiveram enormes prejuízos”, acrescentou o presidente da entidade patronal.
Na tentativa de encontrar uma saída emergencial para o setor, alguns empresários, liderados pelo sindicato, reuniram-se recentemente com o governador Alcides Rodrigues e com o secretário estadual da Fazenda, Jorcelino Braga. Os empresários sugeriram ao governo a criação de um fundo financeiro para alavancar as empresas que se encontram em dificuldades e para dar condições às demais de lançar novos produtos no mercado. Eduardo Gonçalves disse que a entidade espera por uma resposta urgente do governo, uma vez que a situação está se tornando cada vez mais insustentável.
Informação retirada do Jornal Opopular do dia 14/02/2009.