Países da América Latina discutem qualidade dos cosméticos
A cosmetovigilância, ou seja, o monitoramento dos efeitos adversos e queixas técnicas relacionados aos cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumaria, foi um dos temas abordados nesta quarta-feira (25), durante o primeiro dia de discussões da 10ª Reunião de Autoridades Sanitárias do Setor de Cosméticos da América Latina.
A gerente de cosméticos da Anvisa, Josineire Sallum, apresentou aos mais de 100 participantes de 18 países o funcionamento do Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária (Notivisa). Em operação desde o final de 2006, o Notivisa recebeu em 2007, segundo Josineire, 45 relatos de eventos adversos ocasionados por cosméticos. “Os números são pequenos frente à quantidade de indústrias e à dimensão do nosso país”, afirmou.
Josineire ressaltou ainda que a grande maioria dos problemas notificados é ocasionada pelo uso inadequado dos produtos. “Uma prática que se tornou comum no Brasil, e acabou se espalhando por outros países como a Argentina, é o uso do formol misturado aos cosméticos para servir como alisante capilar”, exemplificou. A representante da Argentina no encontro, Mônica Bobbi, confirmou. “Tivemos muitos problemas relacionados ao uso do formol, mas felizmente pudemos contar com a experiência da Anvisa no assunto”, disse.
Autoridades sanitárias do México, Costa Rica e Panamá, entre outros, também contaram como é feita a vigilância pós-comercialização de cosméticos nesses países. Embora a maioria não possua um sistema de notificação como o do Brasil, os eventos adversos relatados são bem parecidos, e dizem respeito ao uso inadequado, falta de atenção ao ler os rótulos ou ocorrência de reações alérgicas.
Mercado
Durante a abertura da 10ª Reunião de Autoridades Sanitárias do Setor de Cosméticos da América Latina, o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, destacou a importância da interação entre os representantes do continente sul americano. “Esse é um segmento econômico muito importante porque gera renda e empregos para o país e felicidade para quem compra os produtos”, afirmou. “A harmonização dos procedimentos é necessária para garantir acesso a produtos de qualidade, por um preço justo”.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) mostrou a amplitude do mercado dos países da América Latina. Segundo ele, em 2007, a região consumiu 46 bilhões de dólares de cosméticos, produtos de higiene e limpeza e gerou mais de 5,5 milhões de oportunidades de trabalho. “Nossa expectativa é representar, daqui 5 anos, um quinto do mercado no cenário nacional”, completou.
A 10ª Reunião de Autoridades Sanitárias do Setor de Cosméticos da América Latina ocorre em São Paulo e termina no sábado (27), data de abertura da Feira Cosmética, no Parque de Exposições do Anhembi.
Informações: Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa